Copa Favela Food transforma futebol em espaço de lazer e união entre entregadores
- clara411
- há 11 minutos
- 4 min de leitura
Realizado na Vila Olímpica da Mangueira, campeonato reuniu 130 entregadores e entregadoras em um dia de esporte, convivência e troca de experiências
Por algumas horas, as entregas deram lugar aos passes, dribles e gols. No dia 20 de junho, 130 entregadores e entregadoras por aplicativo se reuniram na Vila Olímpica da Mangueira para participar do Copa Favela Food, campeonato promovido pela Casa Favela em parceria com o iFood, com o objetivo de criar um espaço de lazer, integração e convivência entre os trabalhadores.

Foto por @moraes.rzn
Ao todo, dez equipes entraram em campo no formato society: oito masculinas e duas femininas. Para além da disputa por troféus e medalhas, a proposta era oferecer aos participantes uma pausa em uma rotina marcada por longas jornadas nas ruas.
“A ideia surgiu com o propósito de promover a integração social dos entregadores e entregadoras, com o objetivo principal de proporcionar uma interação de forma descontraída, lúdica e divertida”, explica Felipe Lana, diretor operacional da Casa Favela. Segundo ele, o esporte foi escolhido justamente como uma forma de aproximar os trabalhadores para além do ambiente das entregas.
Entre quem entrou em campo, o lazer apareceu como uma das principais razões para valorizar a iniciativa. Um dos participantes destacou a importância de os trabalhadores terem um tempo livre para se divertir, lembrando que “nem tudo é só trabalhar”. Outro entregador resumiu a necessidade da pausa: “A gente já passa o dia todo trabalhando. O futebol é um momento de lazer, porque ninguém é de ferro para trabalhar o dia todo.”
Um campeonato pensado a partir da rotina dos entregadores
O planejamento da Copa começou ainda na elaboração da proposta da Casa Favela para o edital Fundo iFood Chega Junto. A partir das diretrizes do projeto, a estrutura do campeonato foi construída de forma coletiva pela diretoria e pelas equipes responsáveis pela execução.
De acordo com Claice Silva, coordenadora-geral do projeto Favela Food Conecta, o conhecimento da Casa Favela sobre o território e o contato já estabelecido com entregadores e entregadoras da Grande Tijuca foram fundamentais para a organização.
“O formato foi pensado de maneira a possibilitar a participação dos trabalhadores, considerando suas rotinas e jornadas de trabalho”, explica Claice. Além das partidas, a organização ofereceu alimentação gratuita, hidratação, arbitragem, segurança e suporte durante o evento.
Para Felipe Lana, esse cuidado começou antes mesmo da definição do campeonato. A organização realizou uma pesquisa para avaliar o interesse dos entregadores e, a partir dela, definiu o número de equipes, a estrutura, a alimentação, o horário e o local. A intenção, segundo ele, era adaptar o evento à realidade dos trabalhadores e alcançar o maior número possível de participantes.
Futebol também como ponto de encontro
Se, durante a rotina, os entregadores circulam por diferentes pontos da cidade, a Copa criou uma oportunidade para que eles se encontrassem em um mesmo espaço. Para o entregador Gustavo, esse é um dos principais méritos do trabalho desenvolvido pela Casa Favela: aproximar profissionais de diversas regiões do Rio de Janeiro.
Essa convivência também pode ultrapassar as quatro linhas. Outro participante contou que os momentos de união permitem que os trabalhadores conversem sobre os problemas enfrentados diariamente e discutam possibilidades de melhoria. Segundo ele, algumas dessas mudanças acabam sendo percebidas depois na própria rotina das ruas.

Foto por @moraes.rzn
Para Claice, esse sentimento de pertencimento ficou evidente durante a preparação e a realização do campeonato. “Observamos um grande empenho dos participantes, tanto para competir quanto para colaborar com a organização. Isso demonstrou um sentimento de pertencimento e de construção coletiva que consideramos muito significativo”, afirma.
Felipe também avalia que encontros como esse podem fortalecer os vínculos entre os trabalhadores. “Essa interação reforça os laços de amizade entre os entregadores fora do âmbito das ruas e das entregas. Essa fuga da realidade cotidiana ajuda a melhorar o bem-estar social e a diminuir os danos causados pelo estresse no ambiente de trabalho”, afirma.
Mulheres também entram em campo
A participação feminina foi outro destaque da primeira edição do Copa Favela Food. Duas equipes de entregadoras disputaram a competição, ampliando um contato que, até então, ainda era um desafio para a equipe do projeto.

Foto por @moraes.rzn
“Antes do campeonato, tínhamos algumas dificuldades para acessar e mobilizar esse público de maneira mais direta. A participação das duas equipes femininas abriu uma possibilidade importante de aproximação e mostrou que existem demandas específicas desse grupo que também precisam ser consideradas nas ações do projeto”, conta Claice.
As equipes campeãs receberam R$700, além de troféus e medalhas. Os vice-campeões foram premiados com R$300.
Ao todo, cerca de 150 pessoas estiveram envolvidas na realização da Copa, considerando os 130 entregadores e entregadoras e aproximadamente 20 profissionais da organização e da prestação de serviços.

Foto por @moraes.rzn
Mais do que definir vencedores, a competição transformou o campo em um ponto de encontro para trabalhadores acostumados a passar boa parte do dia em movimento pela cidade. Entre partidas, conversas e momentos de descanso, o Copa Favela Food mostrou que, em uma rotina atravessada pelo trabalho, também há espaço e necessidade para lazer, convivência e construção coletiva.




Comentários